Retorno às aulas: 8 recomendações de especialistas para facilitar a adaptação das crianças à nova rotina
Com o término das férias escolares, muitas famílias se deparam com o desafio de auxiliar as crianças a retomar a rotina de estudos. A alteração nos horários, o retorno das responsabilidades e a separação diária dos pais podem gerar sentimentos como ansiedade, irritação e resistência nos pequenos. Nesse contexto, é essencial prestar atenção aos cuidados físicos, emocionais e neurológicos para que essa transição ocorra de maneira mais tranquila.
A pediatra Isabela Pires, da Afya Brasília, recomenda que a preparação para o retorno às aulas comece alguns dias ou até uma semana antes do início das atividades. O foco deve ser na reintrodução gradual da rotina. “É crucial que as crianças tenham uma rotina equilibrada ao voltarem à escola. Ajustar os horários de sono e alimentação de forma gradual ajuda na adaptação e influencia diretamente no humor, na atenção e no aprendizado”, afirma. Ela enfatiza que manter horários consistentes para dormir e acordar é benéfico para o organismo, mesmo para aqueles que estudam à tarde. “Estabelecer horários regulares prepara tanto o corpo quanto o cérebro para a rotina escolar, prevenindo cansaço excessivo, irritabilidade e dificuldades de concentração”, explica. Isabela também sublinha a importância de uma alimentação saudável bem estruturada, incluindo a lancheira escolar: “Cuidar da alimentação em casa é importante, mas é igualmente necessário ter atenção com a lancheira escolar. Nutrientes adequados favorecem o desenvolvimento cerebral e a aprendizagem”, conclui.
Outro aspecto a ser considerado é o tempo excessivo em frente às telas, comum durante as férias. O uso prolongado de dispositivos como celulares, tablets e videogames pode resultar em um “efeito rebote”, afetando diretamente o comportamento infantil, especialmente no que diz respeito ao sono e à capacidade de atenção. Portanto, diminuir gradualmente o tempo dedicado às telas antes do retorno às aulas ajuda na regulação do ritmo biológico e na manutenção do foco. Segundo Mariana Leite, professora de Neuropediatria na pós-graduação médica da Afya Itaperuna, as crianças precisam de previsibilidade: “Mudanças abruptas na rotina podem impactar áreas relacionadas à atenção, memória e controle emocional. Horários organizados e estímulos adequados fazem com que o cérebro responda melhor às demandas escolares”, destaca. É importante que pais e responsáveis estejam atentos a dificuldades persistentes de concentração ou irritabilidade nos primeiros dias letivos.
O impacto emocional do retorno às aulas
Além das considerações físicas e neurológicas, o retorno às aulas demanda cuidado especial com as emoções das crianças. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, aponta que esse período pode evocar uma variedade de sentimentos: “Algumas crianças ficam animadas ao reencontrar amigos e professores, enquanto outras podem sentir medo ou insegurança. É fundamental acolher esses sentimentos sem minimizá-los”, ressalta. Ela sugere que pais conversam abertamente com seus filhos sobre como será esse retorno à escola e validem suas emoções: “Expressões como ‘entendo que você esteja nervoso’ têm grande impacto positivo. Um diálogo aberto acompanhado por uma atitude tranquila dos adultos diminui inseguranças e proporciona proteção à criança”, explica.
Isabela Pires acrescenta que iniciar ou retornar à escola pode ser um momento sensível para os pequenos: “Ao tratarmos a escola como uma continuidade do lar — um espaço acolhedor para aprendizado — minimizamos os impactos emocionais dessa fase”, observa. Segundo ela, é vital discutir abertamente sobre a importância da escola, cultivar confiança nos professores e reforçar que ali a criança fará novos amigos além de desenvolver habilidades importantes.
A pediatra também sugere que envolver as crianças na organização da mochila e lancheira pode estimular sua autonomia: “Quando elas participam dessas escolhas, se tornam mais independentes e confiantes. Essa prática está alinhada a abordagens construtivistas da educação que favorecem seu desenvolvimento”, conclui.
8 Dicas das especialistas para tornar a volta às aulas mais leve
Adoções simples no dia a dia podem facilitar essa fase para toda a família. Algumas orientações incluem:
- Ajustar gradualmente os horários de sono e alimentação antes do início das aulas;
- Manter uma alimentação saudável e uma lancheira equilibrada com atenção aos nutrientes;
- Incluir as crianças na organização do material escolar;
- Falar positivamente sobre a escola, professores e colegas;
- Evitar comparações com outras crianças ou experiências escolares passadas;
- Criar pequenos rituais de despedida ao sair para a escola e acolhimento ao retornar;
- Reservar momentos diários para conversar sobre o dia na escola;
- Manter uma postura acolhedora e paciente durante os primeiros dias.
“Rituais simples, brincadeiras e momentos dedicados à escuta ajudam os pequenos a lidar com o desapego das férias enquanto se sentem amparados nesse processo. Quando adultos atuam como ponte entre casa e escola, tudo fica mais leve,” enfatiza Mariana Ramos.
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