Rio estabelece equipe para combater roubo de cabos após perdas de R$ 69 milhões
Nesta terça-feira (1º), a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou a criação de um núcleo permanente para combater o furto e a receptação de cabos, um problema que já gerou prejuízos superiores a R$ 69 milhões para as redes municipais desde 2021.
O lançamento da iniciativa ocorreu no Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) e conta com a colaboração de órgãos municipais, forças de segurança estaduais e concessionárias. O propósito é promover a troca de informações, planejar operações conjuntas e também atuar contra estabelecimentos que adquirem materiais de origem ilícita, conforme informações fornecidas pela Prefeitura do Rio e confirmadas pelo Cidade de Niterói.
Núcleo vai cruzar dados sobre furtos e receptação
Denominado Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos, o grupo terá um funcionamento contínuo sob a coordenação da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop). A equipe incluirá representantes do sistema municipal de segurança, da RioLuz e da CET-Rio, além de permitir a participação das polícias Civil e Militar, assim como dos governos estaduais e das concessionárias.
Esse esforço coletivo busca reunir dados sobre os locais, horários e padrões frequentes dos furtos. Segundo a descrição oficial do núcleo criada pela Prefeitura do Rio, essas informações serão fundamentais para mapear ferros-velhos e negócios suspeitos que compram, armazenam ou vendem materiais subtraídos.
Com essa abordagem, o foco da repressão se expande. Além da intenção de coibir os furtos nos locais mais vulneráveis, a força-tarefa planeja atuar em diversas etapas da cadeia criminosa, abrangendo transporte, armazenamento, receptação e venda.
A integração entre as informações dos órgãos de segurança tem ganhado destaque na Região Metropolitana. Recentemente, o Cidade de Niterói reportou que Niterói vai conectar suas câmeras e dados de segurança com os do Rio, unificando estruturas municipais voltadas ao monitoramento e à inteligência.
Mesmo semáforo foi alvo de 87 furtos em 2026
Dados fornecidos pela CET-Rio evidenciam a alta taxa de reincidência dos furtos. Na interseção da Rua Radialista Waldir Amaral com a Boulevard 28 de Setembro, na Grande Tijuca, um único semáforo registrou 87 furtos apenas em 2026, resultando em uma média próxima a uma ocorrência a cada três dias.
A região da Grande Tijuca se destaca como a mais afetada, respondendo por cerca de 25% dos furtos relacionados aos cabos e equipamentos semafóricos na cidade neste ano. Durante o anuncio dos dados, foi destacado que foram subtraídos 116 quilômetros de cabos e 144 controladores semafóricos, acarretando um prejuízo estimado em mais de R$ 8 milhões na área.
Entre os pontos mais atacados estão a Rua 24 de Maio, Avenida Marechal Rondon e Boulevard 28 de Setembro, além das localidades Cachambi e Méier.
No período entre janeiro e julho deste ano, a Prefeitura do Rio informou que 455 sinais semafóricos foram alvo dos furtos, representando cerca de 14,6% do total existente no município. Foram registradas 1.633 ocorrências nesse intervalo, resultando em perdas superiores a R$ 3,2 milhões.
Prejuízo passa de R$ 69 milhões desde 2021
O total acumulado em perdas financeiras é ainda mais alarmante. Entre os anos de 2021 e 2026, os roubos relacionados às redes geridas pela CET-Rio e pela RioLuz ocasionaram um impacto financeiro acima de R$ 69 milhões.
Na área da iluminação pública, as perdas somam aproximadamente R$ 42 milhões devido a 94.824 incidentes e ao furto de 1.816 quilômetros de cabos desde o início desse período.
Na rede semafórica sob responsabilidade da CET-Rio, o rombo acumulado gira em torno de R$ 27 milhões. Durante esse intervalo foram subtraídos cerca de 457 quilômetros de cabos e apropriados 488 controladores semafóricos.
Rio começa a instalar cabos laranja
Uma das táticas implementadas pela Prefeitura envolve a substituição parcial dos materiais utilizados nas estruturas semafóricas. Os novos cabos possuem coloração laranja com o rótulo “sem valor comercial”, projetados para desestimular o interesse econômico no material dentro do mercado ilegal.
A CET-Rio deu início à instalação desse novo cabeamento em cruzamentos localizados na Zona Norte. Junto com essa substituição dos cabos, outras ações estão sendo tomadas como soldagem das caixas elétricas, posicionamento elevado dos equipamentos para dificultar acessibilidade aos criminosos e uso de dispositivos antifurto além do enterramento dos fios em áreas consideradas críticas.
Conforme informado durante o anúncio oficial, nove dos 54 cruzamentos previstos na primeira fase já receberam essa nova infraestrutura. A etapa inicial contempla aproximadamente 14 quilômetros de cabeamento, com previsão para conclusão em até seis semanas.
Na rede elétrica pública também estão sendo implementadas medidas como substituição por fios metálicos tratados com alumínio; concretagem das caixas passantes; utilização de caixas antifurto para luminárias; além da instalação sistemas protetores em locais críticos.
Ferros-velhos entram na mira das fiscalizações
As ações contra receptação já começaram efetivamente. No bairro Sampaio, situado na Zona Norte do Rio, ferros-velhos foram alvos das primeiras operações relacionadas à nova estratégia contra esse crime.
Em uma ação realizada na quarta-feira (2), agentes conseguiram apreender toneladas de cabos subtraídos junto com materiais recicláveis e detritos provenientes dos estabelecimentos localizados na Rua Alzira Valdetaro. De acordo com informações divulgadas por agências oficiais, essa operação marcou o início das atividades do novo núcleo e também abrangeu uma estrutura irregular utilizada como ferro-velho sob o Viaduto Armando Coelho Freitas.
A Prefeitura ressaltou que outros estabelecimentos já foram identificados para futuras fiscalizações. As ações previstas incluem apreensão dos materiais ilícitos encontrados; interdições; checagem das licenças necessárias; além da desapropriação dos imóveis quando houver amparo legal para tal medida.
“Vamos avançar contra todos os ferros-velhos ilegais que sustentam esse tipo crime em grande escala”, declarou o prefeito Eduardo Cavaliere durante apresentação das novas medidas adotadas.
Operação Caminhos do Cobre já fez centenas de fiscalizações
No âmbito estadual, desde setembro do ano passado está em vigor a Operação Caminhos do Cobre, realizada pela Polícia Civil com foco nas investigações sobre furtos, receptação e comércio ilegal de metais preciosos.
Durante o lançamento do novo núcleo no Rio, o delegado Clemente informou que essa operação já contabiliza mais de 600 fiscalizações realizadas, resultando na prisão de aproximadamente 280 indivíduos responsáveis por estabelecimentos investigados. Ele acrescentou que as investigações levaram ao bloqueio judicial totalizando cerca de R$ 240 milhões.
Um relatório anterior divulgado pelo Governo Estadual em abril deste ano indicava cerca de 580 fiscalizações realizadas até aquele momento; somando também aproximadamente 270 prisões efetuadas além da apreensão superior a 300 toneladas entre fios metálicos diversos. O mesmo levantamento indicava pedidos formais para bloquear bens pertencentes ao montante aproximado mencionado anteriormente durante as investigações relacionadas à Operação Caminhos do Cobre.
