Operação Asfixia: assessor da Prefeitura de Petrópolis é investigado por suposto repasse de informações ao tráfico

Por Rj em Foco • 31/08/2026 • Geral
rjemfoco.com | 31/08/2026

Robson Esteves de Oliveira foi preso durante ação da Polícia Civil que apura a expansão do Comando Vermelho na Região Serrana; defesa ressalta presunção de inocência

A segunda fase da Operação Asfixia, realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro em outubro de 2025, colocou no centro das investigações um então assessor especial da Prefeitura de Petrópolis. Robson Esteves de Oliveira, que ocupava um cargo de confiança no município havia cerca de quatro anos, foi preso sob suspeita de colaborar com integrantes do Comando Vermelho.

Segundo os investigadores, Robson teria atuado como facilitador da organização criminosa, com possível repasse de informações consideradas sigilosas e apoio logístico a integrantes da facção que buscavam ampliar sua presença na Região Serrana do estado.

A defesa do então servidor afirmou, na ocasião, que tomou conhecimento dos detalhes da investigação pela imprensa e destacou que Robson deveria ser tratado com base no princípio constitucional da presunção de inocência. Os advogados também informaram que adotariam as medidas necessárias para assegurar o contraditório e a ampla defesa.

Operação investigou avanço do Comando Vermelho na Região Serrana

A ação foi conduzida por policiais civis da 106ª DP, em Itaipava, com participação da Coordenadoria de Recursos Especiais e apoio do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público.

A investigação buscava desarticular um grupo apontado como responsável por ampliar a presença do Comando Vermelho em cidades da Região Serrana, especialmente Petrópolis.

De acordo com a apuração policial divulgada à época, dezenas de pessoas teriam sido identificadas como integrantes ou colaboradores do esquema.

As autoridades também investigavam a utilização da capital fluminense como ponto de apoio para o envio de drogas e armas em direção à serra.

Petrópolis teria se tornado ponto estratégico para a facção

A 106ª DP apontou que Petrópolis vinha sendo utilizada como uma espécie de entreposto para a distribuição de entorpecentes na Região Serrana.

Segundo a investigação, integrantes da facção coordenavam parte das atividades a partir do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

A estrutura investigada envolveria transporte de drogas, distribuição para diferentes localidades e atuação de responsáveis por áreas específicas de Petrópolis e Itaipava.

Os policiais também apuravam a participação de agentes públicos que, segundo a hipótese investigativa, teriam auxiliado integrantes da organização criminosa.

Assessor especial entrou na mira dos investigadores

Na época da operação, Robson Esteves de Oliveira exercia o cargo de assessor especial ligado à administração municipal de Petrópolis.

Conforme divulgado pelas autoridades, investigadores suspeitavam que ele repassava informações de interesse da facção criminosa.

O delegado responsável pela investigação afirmou, à época, que havia indícios de que informações sigilosas teriam chegado a integrantes do grupo.

A suspeita levantada pela Polícia Civil colocou o então servidor entre os alvos considerados relevantes na investigação sobre uma possível infiltração de integrantes ou colaboradores da facção em estruturas públicas.

É importante destacar que as acusações descritas integram uma investigação policial e que eventual responsabilidade criminal depende de apuração, processo e decisão judicial.

Prefeitura anunciou exoneração

Após a prisão, a Prefeitura de Petrópolis informou que determinaria a exoneração do assessor.

Em posicionamento divulgado na ocasião, a administração municipal afirmou que não tinha conhecimento prévio de qualquer suposta atividade ilícita atribuída ao servidor.

O município também declarou que colocaria as informações necessárias à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.

A Prefeitura manifestou ainda repúdio à eventual participação de agentes públicos em atividades criminosas.

Policial militar também foi alvo da operação

Além do assessor municipal, um policial militar também esteve entre os investigados.

De acordo com a Polícia Civil, o PM era suspeito de fornecer informações sobre operações realizadas na Região Serrana em troca de vantagens financeiras.

A Corregedoria da Polícia Militar acompanhou o cumprimento do mandado.

A corporação informou, na ocasião, que o policial seria submetido aos procedimentos administrativos previstos internamente, além das investigações criminais conduzidas pelas autoridades competentes.

Investigação identificou dezenas de suspeitos

A Polícia Civil informou que a apuração havia identificado aproximadamente 55 pessoas relacionadas ao esquema investigado.

Parte dos suspeitos seria responsável pela logística de transporte de entorpecentes entre o Rio de Janeiro e cidades serranas.

Os investigadores apontaram ainda dois homens como figuras importantes na estrutura criminosa investigada: Wando da Silva Costa, conhecido como Macumbinha, e Luis Felipe Alves de Azevedo.

Segundo as informações divulgadas durante a operação, ambos não haviam sido localizados naquele momento.

Bens ligados ao grupo também foram bloqueados

Além dos mandados de prisão, a operação buscou atingir financeiramente a organização investigada.

As autoridades informaram que aproximadamente R$ 700 mil em bens ligados ao grupo foram bloqueados durante a ação.

A estratégia de atingir o patrimônio é utilizada em investigações contra organizações criminosas para tentar reduzir os recursos disponíveis para financiar atividades ilegais.

A Polícia Civil também afirmou que a estrutura investigada mantinha mecanismos de controle territorial e intimidação em determinadas localidades.

Defesa destaca presunção de inocência

A defesa de Robson Esteves de Oliveira ressaltou que o investigado possui direito à presunção de inocência.

Os advogados afirmaram que aguardariam o acesso integral aos autos para conhecer detalhadamente as acusações e os elementos reunidos pelos investigadores.

A defesa também declarou que utilizaria os instrumentos legais disponíveis para garantir o exercício da ampla defesa e do contraditório.

Esses direitos permanecem válidos ao longo de todas as fases do processo, e a prisão ou condição de investigado não representa, por si só, uma condenação definitiva.

Polícia Civil apontou possível uso de cargos públicos pelo grupo

Na apresentação da operação, a Polícia Civil destacou como uma das linhas mais relevantes da investigação a suspeita de participação de agentes vinculados ao poder público.

Segundo os investigadores, essas conexões poderiam ter fornecido informações privilegiadas ou facilidades logísticas para integrantes da facção.

A presença de um policial militar e de um servidor municipal entre os alvos foi citada pelas autoridades como indicativo da complexidade do esquema investigado.

A apuração prosseguiu com o objetivo de esclarecer a extensão dessas relações e identificar outras pessoas eventualmente envolvidas.

Operação Asfixia mirou estrutura do tráfico na serra fluminense

A Operação Asfixia foi apresentada pelas autoridades como uma das maiores ações realizadas contra o tráfico de drogas na Região Serrana naquele período.

O objetivo principal era enfraquecer a estrutura responsável pelo transporte e distribuição de drogas entre a capital e municípios como Petrópolis.

Além das prisões, a investigação buscou reunir elementos sobre a estrutura financeira, logística e institucional supostamente utilizada pelo grupo.

O caso também chamou atenção para a tentativa de expansão de facções criminosas para cidades fora da Região Metropolitana do Rio.

Caso segue dependente de apuração judicial

Embora os elementos apresentados pelas autoridades tenham motivado prisões e medidas cautelares, as responsabilidades individuais precisam ser definidas dentro do processo judicial.

No caso de Robson Esteves de Oliveira, as alegações sobre eventual colaboração com integrantes do Comando Vermelho partiram da investigação conduzida pela Polícia Civil.

A defesa contestou qualquer conclusão antecipada e reforçou o direito do investigado à análise das provas, ampla defesa e presunção de inocência.

O episódio passou a integrar as investigações sobre a expansão de organizações criminosas na Região Serrana e sobre a possível participação de agentes públicos no fornecimento de informações ou apoio a essas estruturas.