Missionário admite ter agredido até a morte seu filho de 3 anos
- O missionário admitiu ter agredido seu filho de 3 anos, Oliver, em Viamão (RS)
- Infelizmente, o menino faleceu na noite de quarta-feira (8) após ser hospitalizado em estado crítico
- A defesa de Mayanna Rodgers, mãe da criança, afirma que ela também foi vítima de abuso doméstico
- Os advogados mencionam que ela ficou por nove anos sem contato com seus pais, nos EUA
- A Justiça transformou a prisão em flagrante de Dandre Grayson em preventiva na segunda-feira (6)
- A defesa planeja solicitar a libertação de Mayanna nesta sexta-feira (10)
Um episódio que deixa o Brasil estarrecido. A equipe jurídica de Mayanna Angelina Rodgers, mãe do pequeno Oliver Golden Grayson, que perdeu a vida aos 3 anos após ser agredido pelo pai em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, defende que ela deve ser considerada uma vítima nesse contexto. Três advogados foram contratados para representá-la por meio de uma ONG e relataram um suposto caso de privação de liberdade que teria marcado sua relação com o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson.
Conforme a advogada Isabel Cochlaf, os relatos de Mayanna refletem um ciclo contínuo de violência doméstica e a defesa se compromete a esclarecer os detalhes da situação. Mayanna casou-se com Dandre aos 19 anos; após deixarem os Estados Unidos, viveram em outros dois estados antes de se estabelecerem no Rio Grande do Sul e tiveram cinco filhos. Nascida no Japão e filha de cidadãos norte-americanos, ela possui cidadania dupla.
‘Dandre impedia que Mayanna solicitasse ajuda’, declara a advogada, que também critica falhas do sistema de proteção: segundo Cochlaf, durante nove anos ninguém ofereceu suporte à família porque Mayanna era estrangeira, desconhecia as leis brasileiras e não tinha familiares próximos. O advogado André von Berg descreve sua cliente como ‘uma mulher completamente subjugada, sem controle sobre sua própria vida’.
Conforme os advogados da defesa, Mayanna vivia sem acesso a dinheiro, telefone celular, televisão ou rádio e era proibida de manter contato com seus familiares nos Estados Unidos. Ela teria passado quase uma década sem se comunicar com os pais enquanto Dandre respondia mensagens eletrônicas em seu nome. Além disso, alegam que Mayanna não poderia sair das residências do casal nem mesmo para dar à luz: todos os cinco partos ocorreram em casa sob a supervisão do próprio Dandre, reforçando o cenário de submissão.
Dandre se apresenta como missionário, mas não está vinculado a nenhuma igreja no Rio Grande do Sul. ‘Nenhuma missão religiosa o enviou. Ele decidiu vir e pregava apenas para sua própria família dentro de casa’, explica von Berg. Para a defesa, Mayanna não pode ser considerada omissa exatamente por ser também uma vítima. Os advogados pretendem entrar com um pedido para libertar Mayanna nesta sexta-feira (10).
O crime em Viamão
A Polícia Civil reporta que o menino de apenas 3 anos foi agredido pelo pai no distrito de Águas Claras em Viamão, onde reside a família. O missionário confessou sua culpa e está detido desde domingo (5). Durante seu depoimento à polícia, ele afirmou que as agressões foram motivadas pela falta de cumprimento do “bom dia” por parte da criança.
Segundo informações da delegada encarregada do caso, Dandre relatou ter golpeado o peito e o abdômen do menino e ter batido sua cabeça contra o chão. Ele mesmo levou Oliver ao hospital local no domingo; devido à gravidade dos ferimentos sofridos pelo garoto, houve necessidade de transferência para Porto Alegre onde ele foi internado em estado crítico na UTI pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS). Após constatarem múltiplas lesões na criança, os médicos acionaram o 18º Batalhão da Polícia Militar e Dandre foi preso em flagrante ainda nas dependências hospitalares.
Oliver veio a falecer na noite da quarta-feira (8). Na segunda-feira (6), durante a audiência sobre custódia, a Justiça decidiu converter a prisão em flagrante de Dandre para prisão preventiva.
A defesa de Mayanna divulgou um comunicado afirmando que ela é uma vítima e estava ‘em situação de grave vulnerabilidade dentro de um ambiente marcado por violência doméstica física, emocional e espiritual’. A família reside no Brasil há nove anos e havia se mudado para Viamão há cerca de oito meses.
