Ex-governador Cláudio Castro convocado para depor na CPI do Crime Organizado

Por Rj em Foco • 04/04/2026 • Política
rjemfoco.com | 04/04/2026
  • A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou a convocação de Cláudio Castro nesta terça-feira (31).
  • O depoimento é visto como crucial para investigar a influência do Comando Vermelho no Rio.
  • Senadores esperam esclarecimentos sobre a segurança pública durante a gestão de Castro.
  • A convocação ocorre em meio a prisões de aliados políticos do ex-governador.
  • Apesar da obrigatoriedade, Castro pode recorrer ao STF para garantir o direito ao silêncio.
  • A data do depoimento de Cláudio Castro ainda não foi definida pela comissão.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) para prestar depoimento, considerado um passo central para aprofundar as investigações sobre a atuação do Comando Vermelho (CV) no estado.

Pressão por esclarecimentos

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), classificou o depoimento de Cláudio Castro como “absolutamente indispensável” para compreender o grau de influência do Comando Vermelho em estruturas públicas e políticas do Rio de Janeiro. Castro já havia sido convocado em fevereiro, mas a sessão foi cancelada.

Com a nova convocação aprovada, senadores esperam que o ex-governador esclareça episódios que, segundo os investigadores, indicam fragilidade ou possível conivência no enfrentamento ao crime organizado durante sua gestão. O Rio de Janeiro é apontado pela CPI como um dos principais centros de operação do Comando Vermelho, facção que expandiu sua atuação nos últimos anos, ampliando o controle territorial e a influência sobre atividades econômicas ilegais.

A comissão pretende obter de Castro detalhes sobre as políticas de segurança pública adotadas à época, a relação institucional com as forças policiais e eventuais falhas que possam ter permitido o avanço da organização criminosa.

Prisões e suspeitas no entorno político

A convocação de Cláudio Castro ocorre em meio a uma série de investigações e operações policiais que atingiram figuras próximas ao ex-governador. Integrantes e ex-aliados políticos de Castro foram presos sob suspeita de envolvimento com o crime organizado, incluindo ligações com o Comando Vermelho.

Entre os casos de maior repercussão estão as prisões do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), e do deputado TH Jóias, que já integraram a base de apoio do governo estadual e foram alvos de investigações sobre supostos vínculos com esquemas ilícitos relacionados a facções criminosas.

As investigações apontam para uma possível rede de influência que envolveria agentes públicos e interesses da facção. Esses casos são vistos por parlamentares da CPI como indícios de que o problema transcende a segurança pública, alcançando esferas políticas e administrativas do estado.

Alcance da convocação

Apesar de a convocação tornar a presença obrigatória, Cláudio Castro poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o direito ao silêncio ou tentar suspender a oitiva, uma estratégia comum em CPIs. A data do depoimento ainda não foi definida pela presidência da comissão.

Outras frentes de investigação

Além de Cláudio Castro, a CPI também aprovou a convocação do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB). Neste caso, o foco será a relação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, com apuração de possíveis favorecimentos em decisões administrativas.

No entanto, o capítulo fluminense concentra a maior atenção política no momento. Para integrantes da CPI, o depoimento de Castro pode ajudar a traçar um diagnóstico mais preciso sobre como uma das maiores facções criminosas do país conseguiu ampliar sua presença no Rio de Janeiro e se houve falhas ou omissões por parte do poder público. A expectativa é que a oitiva marque um novo momento nas investigações, com potencial para aprofundar a responsabilização de agentes políticos e reforçar o debate sobre o combate ao crime organizado no estado.