Secretário revela que Cláudio Castro renunciará ao cargo na próxima segunda-feira.

Por Rj em Foco • 21/03/2026 • Política
rjemfoco.com | 21/03/2026

O cenário político do Rio de Janeiro sofreu um abalo sísmico nesta sexta-feira (20). Às vésperas do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode torná-lo inelegível, o governador Cláudio Castro (PL) iniciou um movimento de retirada: exonerou 11 secretários de Estado e, segundo interlocutores diretos e informações confirmadas pela Casa Civil, deve renunciar oficialmente ao mandato na próxima segunda-feira (23).

A decisão, embora drástica, é vista como uma tentativa desesperada de manobra jurídica para mitigar os impactos da decisão do TSE. O secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, já dá a informação como certa nos bastidores do Palácio Guanabara. O movimento ocorre em meio ao julgamento de recursos do Ministério Público Eleitoral que apontam um esquema massivo de corrupção e abuso de poder.

O Esquema Ceperj: “Cabos eleitorais” pagos com dinheiro público

O cerne da cassação reside nas investigações sobre a Fundação Ceperj. O Ministério Público aponta a contratação irregular de cerca de 27 mil servidores temporários que, na prática, teriam atuado como cabos eleitorais para garantir a reeleição de Castro em 2022.

Os ministros do TSE já formam maioria contra o governador. Em seu voto, o ministro Antonio Carlos Ferreira foi contundente:

“O que se observa é um método estruturado de promoção pessoal custeado pelo erário, com desvio de finalidade das funções dos servidores temporários.”

O que o julgamento do TSE determina:

  • Cassação imediata: Além de Castro, o vice-governador Thiago Pampolha (MDB) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, também estão na mira.
  • Novas Eleições: A relatora Isabel Gallotti defendeu a realização de um novo pleito para o Governo do Estado.
  • Abuso de Poder: O uso de cerca de 30 mil pessoas beneficiadas diretamente por recursos públicos que superaram o teto de gastos eleitorais.

Rio de Janeiro à deriva?

Com a renúncia iminente e a possível cassação de toda a chapa majoritária, o Rio de Janeiro entra em um período de incerteza institucional sem precedentes. A saída de Castro na segunda-feira marca o fim de uma gestão cercada por escândalos e coloca o estado, mais uma vez, nas páginas policiais e jurídicas por crimes contra a democracia e o patrimônio público.

A retotalização dos votos para deputado estadual também está em pauta, o que pode alterar a composição da Alerj e desestabilizar ainda mais a base governista que restou.

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Linha do Tempo da Queda

Por que a renúncia acontece agora?

A renúncia na segunda-feira tenta antecipar o veredito final do TSE, buscando preservar direitos políticos ou facilitar acordos de sucessão antes que a justiça determine a saída compulsória por cassação.

Quem assume o Governo do Rio?

Com a cassação da chapa (Governador e Vice), a linha sucessória aponta para o presidente da Alerj ou, dependendo da decisão do TSE, a convocação imediata de eleições indiretas ou diretas conforme o prazo eleitoral.

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