Funcionário da Prefeitura de Niterói é afastado por suspeita de envolvimento em atividades ilícitas

Por Rj em Foco • 07/02/2026 • Polícia
rjemfoco.com | 07/02/2026

Um funcionário da Prefeitura de Niterói foi exonerado após mulheres trans e travestis denunciarem que eram obrigadas a pagar valores semanais para poderem trabalhar em um ponto do Centro da cidade. O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) no dia 21 de janeiro, e a exoneração saiu no Diário Oficial dois dias depois.

Segundo os relatos, o homem cobrava cerca de R$ 120 por semana, valor que poderia chegar a R$ 500, sob ameaças e intimidações. As vítimas afirmam que quem se recusava a pagar era coagida, expulsa do local ou agredida.


Denúncias relatam ameaças e violência

Uma das denunciantes contou que o espaço já era um ponto de prostituição antes da chegada do suspeito, há aproximadamente dois anos. A partir daí, ele teria passado a se apresentar como “dono da rua”, exigindo pagamentos para permitir a permanência das trabalhadoras.

Nos depoimentos, as vítimas afirmam que o homem:

  • realizava cobranças semanais;
  • usava ameaças verbais e intimidação;
  • alegava ter influência com autoridades;
  • agredia fisicamente quem não pagasse.

Áudios e vídeos entregues à polícia estão sendo analisados como parte da investigação.


Caso acompanhado pelo Ministério Público

A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público pela vereadora de Niterói Benny Briolly, que acompanha as vítimas e cobra medidas de proteção.

“Estamos solicitando apoio psicológico e financeiro a essas mulheres. Muitas vão precisar interromper o trabalho e necessitam de segurança alimentar e proteção”, afirmou a parlamentar.

Briolly também defendeu uma abordagem humanizada e políticas públicas para a população trans em situação de vulnerabilidade.


O que diz a lei

O artigo 230 do Código Penal considera crime “tirar proveito da prostituição alheia”, com pena de 1 a 4 anos de prisão e multa. Se houver violência ou grave ameaça, a pena sobe para 2 a 8 anos, além das sanções pelos atos violentos.


Posicionamentos oficiais

A Prefeitura de Niterói informou que:

  • o servidor foi exonerado por decisão administrativa;
  • ocupava cargo na Administração Regional da Ponta da Areia;
  • havia sido nomeado em fevereiro de 2025.

A Polícia Civil confirmou que:

  • o caso foi registrado na Decradi e remetido à 76ª DP (Niterói);
  • vítimas e envolvidos já foram ouvidos;
  • novas diligências estão em andamento.

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